sábado, 24 de março de 2018

Questão:

Filosofia no ENEM,  qual a alternativa correta?

Para Nietzsche, não há valores universais. Todos os valores são criações humanas e correspondem a interesses particulares. Os valores são sempre criações históricas, com validade naquele tempo e lugar. Segundo o filósofo, há um caráter ativo, que afirma seus próprios valores negando os valores do outro. Para ele, uma situação saudável é aquela em que predomina o caráter ativo. Porém, na sociedade ocidental houve um processo de ‘inversão de valores’, pois predomina o caráter reativo, centrado na negação da vida e não em sua afirmação. Por isso é necessária uma ‘transvaloração dos valores’, que coloque em cena o caráter afirmativo da vida.
GALLO, Silvio. Filosofia: uma experiência de vida. São Paulo: Ática Editora, 2014.
A inversão de valores, na cultura ocidental, referida por Nietzsche, é a manifestação crítica do filósofo a dois parâmetros que contribuíram, segundo ele, para a formação de uma vontade de poder fraca. São eles:
a) O mundo das ideias de Platão que estratifica a sociedade de acordo com a natureza de cada indivíduo.
b) A crença na imortalidade da alma e no cristianismo que revalidam o poder.
c) O mundo das ideias de Platão que divide a alma em duas.
d) A crença na imortalidade da alma e no cristianismo que levam a uma resignação diante da vida concreta.
e) A universalidade e a historicidade dos valores em caráter reativo.
Escreva aqui a letra que considera correta

sábado, 17 de março de 2018

TEORIA DA ALMA - PLATÃO

     A noção que Platão tem de justiça é reforçada pela sua teoria da alma. Para ele, assim como na cidade há três classes distintas, também a alma humana possui três partes, cada uma encarregada de uma função específica:
1.Parte concupiscente ou apetitiva: concupiscência é sinônimo de "cobiça de bens materiais", desejo de "prazeres sensuais"[1]. Situada no baixo-ventre (entre o diafragma e o umbigo), é a parte da alma responsável pela busca da bebida, da comida, do sexo, dos prazeres, enfim, de tudo quanto é necessário à conservação do corpo e à reprodução da espécie. É irracional e mortal.
2.Parte colérica ou irascível: irascível é quem se irrita ou se enraivece com facilidade.
Localizada no peito, acima do diafragma, sua função é defender o corpo contra tudo o que possa ameaçar sua segurança. Também é irracional e mortal.
3.Parte racional: é a função superior da alma, o traço divino que há em nós. Situada na cabeça, é responsável pelo conhecimento. Apenas essa parte é imortal.
O homem virtuoso é aquele em que cada parte da alma realiza na medida justa (sem falta nem excesso) a função que lhe cabe, sob a regência da parte racional. Cabe, portanto, à parte racional dominar as outras duas. O domínio da razão sobre a concupiscência resulta na virtude da temperança (moderação); o domínio da razão sobre a cólera produz a virtude da coragem ou da prudência. A virtude própria da parte racional é o conhecimento. Por outro lado, o homem vicioso é aquele em que as partes da alma não conseguem realizar suas funções próprias, ou as realizam desmesuradamente, o que ocorre quando a parte racional perde o comando sobre as outras duas. Nesse caso, instaura-se a desordem, o conflito, a violência contra si e os demais.
Ora, o que vale para o homem individualmente vale também, de certo modo, para a cidade e as três classes sociais nela existentes. Na classe econômica, predomina a parte concupiscente da alma. Daí ela estar sempre voltada para a obtenção de riquezas e prazeres. Assim, se essa classe assumir o governo, a cidade será mergulhada em sérios problemas econômicos, aprofundado as desigualdades. Na classe dos guerreiros, predomina a parte colérica, razão pela qual apreciam os combates e a fama. Se governarem, a cidade viverá em constante estado de guerra, tanto interna quanto externamente, gerando insegurança e instabilidade. Finalmente, na classe dos magistrados, predomina a parte racional da alma, o que lhe favorece conhecer a ciência da política e, desse modo, governar as outras duas classes e em conformidade com a justiça.
Em suma, assim como o homem justo é aquele em que a razão governa a cólera e a concupiscência, assim também na cidade, para haver justiça, é preciso que os magistrados governem as demais classes, dedicando-se estas às funções que lhes são próprias.
Caberá à educação preparar os indivíduos de cada classe para o exercício da função e da virtude a ela correspondentes. Assim, a classe econômica deve ser educada para a frugalidade e a temperança; a classe militar, para a coragem, e a classe dos magistrados, para a prudência. O resultado dessa combinação será uma quarta e principal virtude: a justiça. Assim, a cidade justa é aquela em que cada classe cumpre harmoniosamente o papel que lhe cabe: o magistrado governa, o soldado defende e a classe econômica provê a subsistência dos cidadãos, tudo na mais perfeita harmonia. Desse modo, cada um exercendo a função correspondente às inclinações de sua alma, às características de sua natureza, todos concorrerão para a realização da justiça.
Eis, portanto, como Platão legitima e justifica a desigualdade entre as classes, apresentando-a como expressão da justiça e instrumento para a realização do bem comum

TEMPERAMENTO DA ALMA - PLATÃO

Platão (428-348 a.C.) foi discípulo de Sócrates e escreveu trinta diálogos considerados autênticos. Hoje conhecemos a figura de Sócrates graças aos seus diálogos, que faziam dele seu personagem principal. Platão fundou a primeira escola conhecida no mundo ocidental na cidade de Atenas em 387 a.C, chamada Academia, em homenagem ao herói Grego Academus, que lutou na guerra de Tróia. Seu verdadeiro nome era Aristócles, mas foi apelidado de Platão devido aos seus ombros largos.   Era um homem rico e fazia parte da aristocracia que governava a Grécia. Seu pai, Aristão, tinha o rei Codros como seu antepassado e sua mãe, Perictione, foi parente de Sólon.
            O pensamento de Platão  foi muito influenciado pelas filosofias de Heráclito e Parmênides. Ele procurou reconciliar ambas as posições. Foi da controvérsia dessas duas filosofias que surgiu a “teoria das idéias”, núcleo central de sua filosofia. O problema que Platão propõe a resolver é o conflito “irreconciliável” entre a teoria da mudança em Heráclito e Parmênides.  Para Heráclito,  no universo não há nada acabado, fixo e estável, tudo está em permanente mudança. Sua metafísica identifica o Ser com o Não-Ser. Se o mundo é devir, vir-a-ser,  não existe um Ser fixo, estável,  ele está sempre se transformando, é sempre impermanente.   Já para Parmênides,  as coisas que existem têm múltiplas características, são pequenas, grandes, coloridas, pesadas, leves, são diferentes, como homem, animal, água, fogo, etc. Se usarmos a intuição e o raciocínio, perceberemos que há uma propriedade fixa em todas as coisas: elas “são”. Para Parmênides, o ser é uma propriedade de todas as coisas. Tudo que existe tem “Ser”. O Ser  é fixo, eterno, imutável, infinito. Dessa forma, as mudanças e transformações que ocorrem na natureza são uma ilusão de nossa percepção, pois algo que é não pode deixar de ser, e algo que não é,  não pode vir-a-ser, portanto, não há mudança.
           Para reconciliar ambas as teorias, Platão mostrou-nos que todos nós estamos sempre em contato com duas realidades: uma inteligível e outra sensível. A primeira é permanente, universal, nunca se modifica, é o mundo das idéias. A segunda,  é o mundo que percebemos por nossos sentidos, mutável e contingente, o mundo sensível.  Platão demonstra que o mundo tem uma forma a priori, uma estrutura inteligível.  “Através dos diálogos, Platão vai caracterizando essas causas inteligíveis dos objetos físicos que ele chama de idéias ou formas. Elas seriam incorpóreas e invisíveis – o que significa dizer justamente que não está na matéria a razão de sua inteligibilidade. Seriam reais, eternas e sempre idênticas a si mesmo, escapando a corrosão do tempo, que torna perecíveis os objetos físicos. Merecem por isso mesmo, o qualificativo de ‘divinas’ (…). Perfeitas e imutáveis, as idéias constituiriam os modelos ou paradigmas dos quais as coisas materiais seriam apenas cópias imperfeitas e transitórias. Seriam, pois, tipos ideais, a transcender o plano mutável dos objetos físicos.” (Pessanha, 1987, XVI-II).
         A teoria das idéias de Platão está diretamente ligada a sua teoria da alma.   Na parte IV , do seu livro “República”,  Platão concebe o homem como corpo e alma. Enquanto o corpo modifica-se e envelhece, a alma é imutável, eterna e divina. A alma inteligente preso ao corpo um dia foi livre e contemplou o mundo das idéias, mas as esqueceu. É somente através da busca do conhecimento, através de um processo de recordação, de reminiscência,  o homem pode lembrar-se das idéias que um dia contemplou.   A realidade sem forma, sem cor, impalpável só pode ser contemplada pela inteligência, que é o guia da alma.
Platão divide a alma em três partes. O lado racional está localizado na cabeça, seu objetivo é controlar os dois outros lados, com ele adquirimos a sabedoria e a prudência. O lado irascível está localizado no coração, seu objetivo é fazer prevalecer os sentimentos e a impetuosidade, com ele adquirimos a coragem. Por último, temos o lado concupiscente que está localizado no baixo-ventre, seu objetivo é satisfazer os desejos e apetites sexuais, com ele adquirimos a moderação ou a temperança.  No Mito do Cocheiro, no diálogo “Fedro”, Platão compara a alma a uma carruagem puxada por dois cavalos, um branco (irascível) e um negro (concupiscível). O corpo humano é a carruagem, e o cocheiro (Razão) conduz através das rédeas (pensamentos) os cavalos (sentimentos).  Cabe ao homem através de seus pensamentos saber conduzir seus sentimentos, pois somente assim ele poderá se guiar no caminho do bem e da verdade.
           Platão afirma,  que não podemos ser felizes quando somos dominados pela concupiscência e pela cólera, isso porque as paixões sempre nos conduzem por caminhos perigosos e contraditórios e fazem com que os desejos e impulsos violentos de nosso corpo tirem nosso bom senso.  Já dizia Sócrates que todo vicio é ignorância. Não há nada mais deprimente do que uma pessoa que age por impulsos e é dominada pelas paixões. Ter autocontrole é essencial para sermos felizes. A felicidade só pode ser alcançada se formos capazes de dominar nossos sentimentos pela razão. A moderação é uma virtude,  e ela se realiza quando somos capazes de controlar a nossa concupiscência. O indivíduo moderado é aquele que não cede as suas paixões, impulsos e prazeres. Da mesma forma,  o indivíduo não se lançara a luta e a agressão indiscriminadamente, uma vez que a razão deve saber discernir o que é bom e mal para nossa vida, sabendo dominar a nossa alma irascível. Dessa forma, seremos felizes se através da razão soubermos controlar nossa vida, pois a virtude natural da razão é o conhecimento.

quarta-feira, 14 de março de 2018

A FILOSOFIA E SUAS ORIGENS GREGAS

A palavra Filosofia vem do grego e em sua etimologia, aborda o significado sintético: philos ou philia que quer dizer amor ou amizade; e sophia, que significa sabedoria; ou seja, literalmente significa amor ou amizade pela sabedoria.
A palavra, nessa concepção que temos, surgiu com Tales de Mileto(aproximadamente em 595 a.C), e ganhou especial sentido com Pitágoras(aproximadamente em 463 a.C). E, sobre esses e outros filósofos, trataremos mais a fundo ao longo do site.
A Filosofia é o estudo das inquietações e problemas da existência humana, dos valores morais, estéticos, do conhecimento em suas diversas manifestações e conceitos, visando à verdade; porém, sem se considerar como verdade absoluta, nem tentando achar essa máxima como verdade absoluta.
Ela se distingue de outras vertentes de conhecimento como a mitologia grega e a religião, visto que tenta, por meio do pensamento racional, explicar os fenômenos e questões humanas. Mas também não pode ser igualada, em termo de métodos, às ciências que têm a pesquisa empírica e experimentos práticos como fundamentos, uma vez que a Filosofia não se atém (não sendo descartada essa hipótese) a experimentos. Os métodos dos estudos filosóficos estão fundamentados na análise do pensamento, experiências práticas e da mente, na lógica e na análise conceitual.
A origem da Filosofia como ciência, ou mesmo como forma de estudo das inquietações humanas, surge no século VI a.C, na Grécia antiga, que é chamada de “o berço da Filosofia ocidental”.
Os primeiros pensadores chamados filósofos foram Tales, Pitágoras, Heráclito e Xenófanes que, na época, concentravam seus esforços para tentar responder racionalmente às questões da realidade humana.
Numa época em que praticamente tudo era explicado através da mitologia e da ação dos deuses, esses pensadores buscavam, em pensamentos lógicos e racionais, explicar qual a fundamentação e a utilidade dos valores morais na sociedade da época. Também queriam identificar as características do conhecimento puro, as origens das coisas e dos fatos e outras indagações que surgiam conforme o caminhar intelectual da época.
Diversas questões levantadas por esses filósofos ainda hoje são focos e temas de debate e pesquisa da Filosofia contemporânea.
Na idade antiga e idade média, a Filosofia teve o seu ápice, abordando praticamente todas as áreas científicas conhecidas, além de indagar e buscar esclarecer questões pertinentes da época. Os filósofos dedicavam seus estudos desde coisas extremamente abstratas como o “Ser enquanto ser” passando por questões exatas como as reações químicas, queda de corpos, fenômenos naturais, etc.
Com o seu eixo primordial em questões variadas no início de seu surgimento, ela foi, com o passar do tempo, se “lapidando”, chegando à Idade Moderna fundamentada em questões abstratas e gerais, tais como os questionamentos mais frequentes da humanidade, questões esta consideradas importantes para os surgimento, aprimoramento e desenvolvimento das demais ciências e áreas do conhecimento.
Tendo em vista o fato de que a maioria das questões gerais e abstratas do ser humano não poderia ser confiável nem convenientemente tratadas de maneira empírica e experimental, como se observa na maioria das ciências, esse tipo de discussão passa a ter um caráter filosófico e foi  importantíssimo para que se entendesse o que viria a seguir no tocante à ciência, de um modo geral.

terça-feira, 13 de março de 2018

A FILOSOFIA E O PENSAMENTO CONCEITUAL

A filosofia já foi definida de várias maneiras. A palavra, de origem grega, é composta de Phílos, que designa o ‘amigo, amante’; e Sophía, que significa ‘sabedoria’. O significado de filosofia, portanto, é amor ou amizade pela sabedoria. Se a filosofia é um amor pela sabedoria, isso quer dizer que ela não é “a” sabedoria, mas sim uma relação com o saber, que implica um movimento de construção e de busca da sabedoria. O filósofo Aristóteles definiu o ser humano como um “animal portador da palavra, que pensa”, isto é, um “animal racional”. Segundo ele, “a filosofia é a atividade mais digna de ser escolhida pelos homens”, uma vez que nela o ser humano exercita sua faculdade racional.
É também uma atividade capaz de proporcionar a felicidade, pois vivendo filosoficamente o ser humano está vivendo de acordo com  sua própria natureza. A filosofia é, portanto, um movimento daquele que não sabe em direção a um saber; é uma vontade de conhecer a si mesmo e ao mundo.

Duas perspectivas da filosofia O filósofo contemporâneo Michel Foucault procurou mostrar que há duas formas de compreender a filosofia: 
• como busca da sabedoria, entendendo o conhecimento como algo que vem de fora; 
• como um trabalho de cada um sobre si mesmo, um modo de construir a própria vida.




No primeiro caso, a filosofia é a busca de um saber que está fora de cada um de nós. No segundo, é uma prática de vida, um pensamento sobre nós mesmos, um modo de fazermos com que nossa vida seja melhor. Essa segunda noção é também uma busca, mas não de algo que está fora de nós. É uma busca por nos tornarmos melhores pelas práticas cotidianas que certos filósofos denominam exercícios espirituais.
Um exemplo de exercício espiritual seria o hábito de escrever um diário. Ao relatar os acontecimentos e as sensações do dia a dia, temos oportunidade de refletir sobre eles e, assim, de nos conhecermos melhor. Essas duas visões levam a uma terceira: o pensamento filosófico como uma reflexão interna que questiona todos os conhecimentos vindos de fora. Pensar filosoficamente é, portanto, refletir sobre os mais diversos problemas e situações “partindo do zero”, ou seja, sem aceitar automaticamente os conhecimentos recebidos. 
Na reflexão em busca do conhecimento, a filosofia elabora conceitos. Para começar a compreender o que são conceitos, pense no que significa para você a ideia de democracia. Faça a você mesmo algumas perguntas:

• O que é democracia?
• A que contextos ela se aplica?
• As relações familiares em que vivo são democráticas? E na escola?
• Deve haver um limite para a liberdade democrática?
• Será que a democracia tem alguma relação com a filosofia?
• A ideia de democracia é algo pronto e definitivo ou muda conforme o lugar e a época?


Ao fazer a si mesmo essas perguntas, você está praticando a reflexão filosófica e reunindo elementos que podem ajudá-lo a elaborar um conceito, o conceito de democracia. Nos dicionários e enciclopédias, é possível encontrar muitas definições da palavra democracia. O conceito é algo diferente, é uma elaboração própria, que envolve reflexão e modifica
quem a realiza.
Os conceitos não estão prontos e acabados, mas estão sempre sendo criados e recriados de acordo com as circunstâncias, de acordo com as necessidades, dependendo dos problemas enfrentados a cada momento. Cada filósofo cria seus próprios conceitos ou recria conceitos de outros filósofos. Ao criar ou recriar conceitos, o filósofo está também
agindo sobre si mesmo, criando a si mesmo, construindo sua vida. 

Mas isso não significa que apenas alguns privilegiados possam praticar a filosofia. Segundo o filósofo italiano Antonio Gramsci, “todos os homens são filósofos”, na medida em que todo ser humano, de uma forma mais ou menos intensa e duradoura, pensa sobre os problemas que enfrenta em sua vida. De certo modo, todo ser humano se utiliza de conceitos, ou até mesmo os formula, em alguns momentos de sua vida. Os filósofos, porém, dedicam-se à filosofia de modo mais intenso, fazendo dessa atividade sua profissão e sua vida. Eles problematizam diversas questões, pensam, criam conceitos, escrevem textos e livros.
Alguns desses conceitos atravessam os séculos. Embora tenham sido elaborados em outra época e em um contexto histórico diferente, podem despertar nossa reflexão e ajudar na formulação de nossos próprios conceitos. Pense, por exemplo, no conceito de felicidade. Muitos filósofos já estudaram o assunto em diferentes lugares e épocas e elaboraram os mais variados conceitos de felicidade. Esses conceitos são importantes como referência, mas não são estáticos: mudam conforme o contexto e as motivações de quem está refletindo sobre eles. Nesta obra você vai conhecer diferentes conceitos criados pelos filósofos ao longo do tempo e poder compreender como esses conceitos podem ajudá-lo a pensar sobre sua própria vida.




domingo, 11 de março de 2018

A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA


Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”, ou ainda; "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós." JEAN PAUL SARTRE (1905-1980).
Antes de chegar nesta tão celebre frase, Sartre passou por toda uma construção anterior desse pensamento desembocando posteriormente no pensamento conhecido como existencialista. Em L´Imaginaire desenvolve um pensamento separativista da percepção e da imaginação, em L´Être et le néant contesta o subconsciente freudiano desvinculando-se do determinismo religioso,e  no qual no decorrer da leitura vê-se o cerne da idéia posterior de responsabilizar o homem pelos seus próprios atos expondo a idéia de liberdade como um aprisionamento do ser (“Não somos livres de ser livres”) já que o homem é o único ser capaz de criar o nada:

 “Ao tomar uma decisão, percebo com angústia que nada me impede de voltar atrás. Minha liberdade é o único fundamento dos valores.”Desta forma gera no homem a angustia de saber que nada o impede de voltar atrás, o medo de arcar com sua própria liberdade. Assim, condenados a uma liberdade insatisfatória, jamais alcançando o que realmente desejamos sendo, portanto, uma liberdade irrealizável.

A Existência precede a essência?Para o pensamento de Sartre Deus não existe, portanto o homem nasce despido de tudo, qual seja um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem, o que significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para concebê-la, a única natureza pré-existente é a biológica, ou seja; a sobrevivência, o resto se adquire de tal forma que não vem do sujeito é ensinado a ele pelo mundo exterior.
Se Deus não existe não encontramos, já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. Assim não teremos justificativa para nosso comportamento. Estamos sós, sem desculpas.

É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre (pensamento desenvolvido em o ser e o nada). Condenado, porque não se criou a si mesmo, mas por estar livre no mundo  estamos condenados a ser livres, mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é, ou seja;
“Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”.O homem é aquilo que ele mesmo faz de si, é a isto que chamamos de subjetividade. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é de por todo o homem na posse do que ele é e de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. Para o existencialista não ter a quem culpar já que Deus não existe, e o subconsciente não existe é o que leva ao pensamento da liberdade não livre, pois, junto com eles, desaparecem toda e qualquer possibilidade de encontrar valores inteligíveis, nem um modelinho pré-definido a ser cumprido.

            A fórmula "ser livre" não significa "obter o que se quer", e sim"determinar-se a escolher". Segundo Sartre o êxito não importa em absoluto à liberdade. Um prisioneiro não é livre para sair da prisão, nem sempre livre para desejar sua libertação, mas é sempre livre para tentar escapar.

            Sendo livres somos responsáveis por nossas ações consequentemente somos livres para pensar e conceber nossos próprios paradigmas, não sendo então aquilo que fizeram de nós e sim nos criando a partir do que fizeram de nós. Somos o que escolhemos ser.

Referência:http://orbita.starmedia.com/~jeanpaulsartre/ acesso em 23/03/06.Jean Paul Sartre, O ser e o nada.


segunda-feira, 5 de março de 2018

O MUNDO DE SOFIA

Aviso que o texto tem spoiler. Lembrando que ele é destinado ao leitor que quer entender melhor do que trata "O mundo de Sofia".
O filme "O mundo de Sofia" gira em torno de Sofia, de Alberto Knox, professor de filosofia, do Major Albert Knag e de Hilde Knag, filha de Albert Kang. Há ainda os personagens secundários: a mãe de Sofia; o pai, um capitão de navio, que não aparece na história, mas é mencionado; a melhor amiga de Sofia, Jorunn; Georgie, um amigo da escola; o professor da escola. Há também personagens animais: um cão, que depois descobrimos que é o filósofo Knog; um gato; uma cabra.



No filme "O mundo de Sofia", já no início, as personagens Sofia e Jorunn, a amiga e vizinha, conversam sobre se os pássaros pesam e o que eles pesam de nós. A partir desse ponto, acompanhamos Sofia em sua busca pelo conhecimento.

Às vésperas de completar quinze anos, os questionamentos de Sofia só aumentam. Ela começa a receber bilhetes e cartões postais. Os bilhetes são anônimos, e trazem questionamento à Sofia: "quem é ela?" "de onde vem o mundo em que vivemos?". Ela busca respostas com a mãe, mas não tem as respostas que satisfaçam. Na escola, o professor também não consegue dar respostas. Os amigos da escola também não conseguem entender do que Sofia está falando. Uma das questões abordadas por Sofia é se existimos ou não. Somos personagens de uma fantasia, de uma novela?

Sofia descobre que bilhetes são de um filósofo chamado Alberto Knog, que irá se tornar seu professor de filosofia. Juntos, os dois percorrem o desenvolvimento do pensamento filosófico, desde a Grécia antiga à modernidade, passando pela Idade Média, pelo Iluminismo, pela Revolução Francesa e pela Revolução Russa até os tempos modernos. Os postais foram mandados do Líbano, por um desconhecido chamado major Albert Knag, para uma pessoa chamada Hilde Knag, que Sofia igualmente desconhece.

Aos pouco vamos descobrindo quem são Alberto Knax, Hilde, Knag e a própria Sofia.

Com uma narrativa fragmentada, o filme "O mundo de Sofia", nos apresenta os princípios filosóficos numa viagem pelos Períodos da história da humanidade. O primeiro a ser apresentado vai da Grécia Antiga até o período Helênico. Por meio de uma redação escolar de Sofia ficamos sabendo como os homens explicavam aquilo que eles não entendiam - a mitologia grega.  

Depois, Alberto vai conduzindo Sofia e, portanto, nós também, pela viagem do conhecimento. Por meio de um vídeo enviado a Sofia, Alberto aparece na Grécia, berço da filosofia. No vídeo, Alberto fala de Sócrates, Platão, Aristóteles.

Em seguida, Alberto nos conduz para a Idade Média, que durou 1000 anos. Neste período a Igreja dominava o pensamento. Um dos grandes filósofos desse tempo foi Tomás de Aquino. Ele sustentava que Deus se revelava na Bíblia e na razão. Foi também neste período que houve a peste negra, que arrasou a Europa, matando milhares de pessoas.

Entramos no período do Renascimento. Alberto apresenta a Sofia uma bússola, invento importante para o Renascimento, pois permitiu aos exploradores encontrar novos continentes. Durante o Renascimento os filósofos se dedicaram à ciência. Então, Sófia pergunta: "O que renasceu?" E Albert responde: "Os ideais da Grécia antiga". Neste período, permitiu-se às pessoas a voltarem a ter curiosidade pelas coisas. O enxofre foi a substância do momento.

As grandes personalidades do Renascimento foram: Shakespeare - escreveu dramas, como Hamlet, Romeu e Julieta, Macabet, Rei Lear; Nicolau Copérnio - descobriu que a terra gira em torno do sol. Antes do Renascimento se pensava que a terra era o centro do universo. A Igreja não permita novas ideias. As ideias de Copérnio levaram 300 anos para serem aceitas.

Leonardo Da Vinci, outra grandes personalidades do Renascimento, se destacou na arte e na ciência. Foi arquiteto, matemático e engenheiro. Pintou a tela "Mona Lisa". Outro grande artista, rival de Leonardo, foi Michelangelo. Também foi neste período que se inventou a imprensa, por Johannes Gutenberg. Na filosofia, Francis Bacon foi um dos grandes destaques. Ele disse: "conhecimento é poder".

Alberto Knox também fala de Descartes, que viveu no século 17. Descartes disse: "Penso, logo existo". Ele acreditava que deveríamos duvidar de tudo.  Também ficamos sabendo de Georgie Berkeley, bispo anglicano irlandês (1685-1753). Ele e Tomás de Aquino argumentavam que fé e filosofia se entrelaçavam. Berkeley acreditava que o espírito é superior a matéria. Para ele, a percepção de tempo e do espaço só existe na nossa mente.

Alberto Knox nos guia pela Revolução Francesa. Segundo o filósofo, alguns anos depois da morte de Berkeley houve a Revolução Francesa (1789). O povo se rebelou contra o rei a nobreza. Lutaram para se libertarem da opressão. Nessa época, alguns tinham privilégios que eram pagos por outros. As pessoas eram tratadas diferentemente segundo seu nascimento. Era uma sociedade de classes, não existia igualdade. A Igreja dominava. Os nobres também desfrutavam de enormes privilégios.

Quem se destacou nesse período foi o filósofo Rousseau. Ele acreditava que o homem possuía certos direitos naturais.

Robespierre, lider da Revolução, admirador de Rousseau, empregou a violência a todos que ousou discordar de seus métodos. Ele os chamava de inimigo do povo. Para Albert, os filósofos foram mal interpretados. Em vez de métodos democráticos empregaram a violência e o terror.

Olímpia de Gueges criticou a violência empregada por Robespierre e foi guilhotinada, em 1971. Olimpia escreveu "A declaração dos direitos das mulheres", explicando que o poder pertence ao povo. Que o povo compõe-se de homens e de mulheres. Olímpia foi a primeira mulher que, publicamente, exigiu a igualdade entre os sexos.

Alberto também cita outros pensadores e artistas, como Emanuel Kant; Frederich Nietzsche, que disse: "Deus morreu". Nietzsche pensava que deveríamos reexaminar todos os nossos valores; Soren Kierkegaard, dinamarquês. 

Entramos na Era do Romantismo, que foca na natureza e no gênio criador do artista. Alberto cita a ária Don Giovanni de Mozart. Fala de Goethe, que escreveu "As tristeza do jovem Werther" e influenciou toda uma geração. Houve gente de se suicidou por ler o livro.

Hegel fala sobre tese, antítese e síntese. Ele dizia que nossos pensamentos são dialéticos, que ele surge de pensamentos anteriores.

Também Alberto conduz Sofia pela Revolução Russa. Lênin dizia: "Pão para o povo, terra para os fazendeiros, paz ao país e poder aos soviéticos." Somos introduzidos à dialética de Hegel, que é a base do Marxismo, do "Manifesto Comunista."

Ainda vemos Sofia em uma sessão como Sigmund Freud, que foi precursor da psicanálise, método terapêutico para trata mentes doentes. 

No filme, ainda há referência a Jean Pablo Sartre, filósofo existencialista. Também é mencionado a Teoria do Big Bang, sobre a criação do mundo.

Ao longo do filme, vemos Sofia descobrir que todos em seu mundo são personagens de uma história contada por Albert Knag à sua filha Hilde (a todo o momento surge na tela personagem como: Robin Hood, Os três mosqueteiros, O Pinóquio). 

Enquanto o major servia às Nações Unidas - ONU, no Líbano, ele escrevia à filha sobre a história da humanidade. 

Sofia ao descobrir que também é uma personagem decide que, para sobreviver, precisará fugir da história, junto com Alberto Knox. Eles elaboram um plano que será posto em prática no dia do aniversário de 15 anos de Sofia. No entanto, já no "mundo real", eles percebem que todos os personagens dos livros são figuras históricas e que vivem para sempre, como as ideias de Platão.

Bom, espero que esse texto possa contribuir a você leitor. Introdução à filosofia.  

sábado, 3 de março de 2018

Os valores e as escolhas

Olá!
O tempo todo nós temos que tomar decisões. Algumas decisões são pequenas e praticamente insignificantes, enquanto outras vão mudar as nossas vidas. O que não percebemos é que as decisões que tomamos sempre levam em conta os nossos valores pessoais, o que valorizamos mais.
Na medida em que cada pessoa valoriza uma coisa, por serem diferentes umas das outras, as decisões serão evidentemente diferentes. Os valores também explicam porque podemos nos arrepender de uma escolha passada, ou seja, a escolha da qual nos arrependemos, via de regra, é aquela que contemplou um valor que não é o nosso.
Neste texto, então, quero compartilhar com todos uma das atividades mais fundamentais em todo processo de Coaching, que é a elucidação dos valores pessoais.

Valores pessoais

É bem simples entender a noção de valor. Digamos que você tenha a opção A e a opção B. Você tem que escolher ou A ou B. Depois de pensar bem, você escolhe a opção A. Se você analisar o porquê, verá que você valoriza o que A representa mais do que o que B representa.
Por exemplo, uma pessoa que se formou em psicologia ou direito tem em certo momento de sua vida duas opções:
A – prestar um concurso público
B – trabalhar como profissional liberal
Nada indica, de antemão, que um caminho é melhor do que o outro. Se uma pessoa escolhe a opção A é porque tem certamente o valor da estabilidade como um valor dos mais importantes em sua vida. Ela deve pensar: “o que eu quero é saber quanto vou ganhar no final do mês, e também quero ter um contra-cheque para conseguir financiamento e, mais importante, quero dormir sabendo que no longo prazo terei um emprego”.
Na medida em que um concurso público traz essas possibilidades, uma pessoa que tem o valor da estabilidade vai buscar a estabilidade de um concurso.
Mas como vimos, nem todas as pessoas têm os mesmos valores. Uma pessoa que tem o valor da liberdade pode muito bem preferir a instabilidade de ser um profissional liberal. Engraçado como a própria palavra já diz – profissional liberal… um profissional com liberdade.
Saiba mais –  Profissional liberal
A pessoa com o valor da liberdade pensa algo como: “o que eu quero é liberdade de tempo, poder viajar na época que quiser, poder tirar um dia de folga quando for necessário, não ter chefe… E, principalmente, contar com meus próprios esforços para ser bem sucedida”.
Estes são dois exemplos excludentes, de certa forma, mas existem muitos outros valores. O mais comum é que cada pessoa tenha cerca de 5 valores principais, ou seja, valores que são mais fortes e que vão nortear a sua vida.
A fala suposta da pessoa que tem o valor da liberdade inclui o valor do sucesso ou do que podemos chamar de status. Se o sucesso for medido pelo dinheiro, entrará em jogo o valor da realização material – valor que também aparece na fala suposta da pessoa que busca estabilidade, acima.
Em muitos e muitos casos, como na escolha da faculdade ou carreira, podemos notar valores que estão alinhados. Uma pessoa pode querer ter dinheiro, reconhecimento público e estabilidade. Não será, em tese, um encontro de valores contraditórios.

Como avaliar os valores mais fortes?

O jeito mais simples de avaliar os valores mais valorizados, digamos assim, é imaginar situações nas quais um valor é contraditório ao outro. Como vimos antes: estabilidade ou liberdade?
Na lista de alguém que tenha o valor do dinheiro, reconhecimento público e estabilidade, podemos descobrir qual é o valor mais importante confrontando um com o outro:
– Se você tiver que escolher entre reconhecimento ou dinheiro, qual terá mais impacto para você? E entre estabilidade e reconhecimento? E entre ter mais dinheiro e menos estabilidade… Entre um e outro, o que é mais importante?

O fracasso como não encontrar o seu valor

Quase todos os dias, aparecem comentários aqui no site nos quais reconheço que o problema consiste ou em não entender bem os próprios valores ou em não ter conseguido realizar os próprios valores com as escolhas feitas.
Por exemplo, durante o período em que tive carteira assinada fui profundamente infeliz, pois para mim a ideia de liberdade é muito mais forte do que a ideia de ter estabilidade, salário fixo, plano de saúde da empresa, etc. Portanto, eu fui extremamente infeliz nessa época porque eu estava realizando um valor que não era o meu valor.
Para outra pessoa, cujo valor principal fosse a estabilidade, estaria muito feliz com o trabalho fixo e seria muito infeliz com trabalhar por conta própria, tendo variações no salário de mês a mês.
Um outro exemplo muito comum, na área profissional, é quando a pessoa escolhe uma faculdade por status social. É a faculdade melhor, dos sonhos, mais reconhecida e valorizada. Muitas pessoas tem esse valor como o mais alto e se for o caso mesmo, serão muito felizes ao sentir que estão no que é mais valorizado pela sociedade.
Porém, muitas pessoas confundem e escolhem pelo que é valorizado socialmente quando o seu valor pessoal não tem nada a ver com reconhecimento. Se o valor mais profundo for sentir que está ajudando o próximo, e se tiver escolhido uma área valorizada mas que contribui com a sociedade, mas com os efeitos sendo sentidos apenas indiretamente, também haverá infelicidade. Ou talvez, mais simples do que isso, a faculdade que é a de mais status não permite ao estudante com o valor da aprendizagem forte estudar o que seu coração quer estudar de verdade.
Para ficar mais claro, podemos imaginar que uma profissão valorizada é ser um administrador de empresas. Um administrador é, portanto, reconhecido pela sociedade e tem o seu status. A pessoa escolhe a faculdade de administração, mas quando começa a trabalhar, vê que seus esforços se dirigem para a obtenção de lucro e não para ajudar as pessoas (como se pode ajudar diretamente através da saúde ou educação). Portanto, há uma contradição.
Assim como aquela pessoa que escolhe medicina porque é reconhecida mas quer estudar artes plásticas. Outra contradição: querer satisfazer o valor do status quando o valor individual é outro. (Como disse, existem muitas pessoas que se sentirão realizadas e felizes porque tem o valor do status como o mais forte).

Conclusão

Não existem escolhas que não sejam baseadas em valores porque toda e qualquer escolha é a valorização de algo em detrimento de outra coisa. E todos nós temos valores pessoais que nos acompanham ao longo da vida. Eles podem mudar até um pouco em certos períodos, mas o padrão é que sejam mais constantes do que mutáveis.
Os valores utilizados aqui também estarão presentes em outras áreas. Um homem pode ter o valor da liberdade em relacionamentos amorosos e, assim, não querer estabilidade… ou uma mulher pode querer namorar alguém que é bonito, não pela beleza, mas porque será reconhecida pelos outros. Estes são apenas alguns exemplos simples para mostrar como os valores estão presentes não só na carreira.

Questão:

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